domingo, 30 de maio de 2010

ler até [des]cansar


Sou apaixonada por palavras. Isso vem bem antes da simples ideia de um dia me tornar jornalista. Vem de quando meu pai, outro espécime devorador de letrinhas e afins, pintou numa parede de casa uma lousa enorme, para que eu e meu irmão pudéssemos estudar [e eu dar aulas para as minhas bonecas]. Tudo começou aí.
O prazer pela leitura veio um pouco mais tarde, quando descobri que dentro de casa havia uma coleção enoooorme de gibis do Pato Donald, todos encadernados em capa dura, que meu pai colecionava desde pequeno. Foi aí que instaurou-se o vício pela leitura e eu nunca mais consegui me 'curar'. Lia de tudo: as revistas de costura da minha mãe, as em quadrinho encadernadas, as minhas da Turma da Mônica, todos os livros que eram obrigatórios na escola, o caderno de receitas, tudo. Virei fã de palavras cruzadas, comprei caderno de caligrafia, comecei a fazer agendas, escrevia cartas gigantescas, tudo em função dessa adoração pelas palavras.

Ler pra mim sempre foi mágico e é algo que não sei como explicar. Entra no chavão do "viajar sem sair do lugar" e se amplia dentro da curiosidade inexplicável que tenho em querer saber o porquê das coisas [eis o lado jornalista aflorado]. Hoje assino seis [!] revistas, compro sempre uma ou outra se leio algo de interessante na capa, adoro um jornal e passo horas lendo bobagens na internet. Criei uma comunidade no Orkut sobre 'troca troca literário', para pessoas que como eu tem livros mil e gostariam de trocá-los, para ter sempre algo novo para ler. Tenho uma mini coleção de livros separados por tópicos, como por exemplo 'os de sempre', que junta de Caco Barcellos a Capote e se misturam com astrologia [amo ser sagitariana] até livros específicos, como 'a elaboração do TCC passo a passo'. Os de Moda ganham disparado em relação à espaço e quantidade. :)

Mas, de todos os meus xodós, tenho um que é fabuloso: a piauí [com 'p' minúsculo] uma revista como não se via há tempos, com textos looongos, descrições deliciosas e temas que beirariam o ridículo se estivessem em outro lugar, não nela. Assino desde as primeiras edições e devo a honra dessa descoberta ao meu sogro jornalista. Na época que nem pensava em um dia fazer parte da família, ele presenteou meu namorado com o primeiro exemplar, que passou de mão em mão numa reunião de amigos, todos interessados no artigo sobre 'toxiplasma gondii' [corre pro Google!]. Dai em diante, foi paixão à primeira vista por ambos, a revista e o filho.

Ler, ler e ler. Eis o melhor passatempo e também a maneira mais prazerosa de acrescentar molho e consistência às conversas, aumentar vocabulário, saber do mundo ou dos assuntos que lhe interessam ou simplesmente embarcar na viagem de outra pessoa e aproveitar. Ler [e bem e muito e sobre quase tudo] é coisa de gente interessante e inteligente, não acomodada. Faço parte dessa turma com orgulho e sem falsa modéstia. E certamente é uma das bagagens que deixarei pros meus.
=*

domingo, 9 de maio de 2010

ser [ou não] mãe.


Não dá pra negar que se tem uma mulher que é poderosa, essa é uma mãe! Existe mulher com mais poder, dedicação, atenção, paciência e mais alguns tantos atributos [alguns dispensáveis, diga-se de passagem] do que um ser que consegue gerar, dar a vida e cuidar de um outro ser? Dá até medo.

Nunca pensei em ser mãe e jamais foi meu plano de vida essa responsabilidade pro resto da vida. Na verdade, sempre coloquei na cabeça que não poderia ter filhos [e até hoje penso nisso]. Acho que foi essa a forma que achei para mascarar o tal ‘instinto materno’ que todas nós temos ou o fato de ver quase todas as amigas adolescentes serem mães cedo, por descuido e perderem uma boa parte da vida. Também coloquei na frente da maternidade outras prioridades, como uma faculdade, um emprego, um namorado sem igual e minha família estruturada. Mesmo com tudo dentro dos conformes, sinto que algumas coisas ainda estão meio sem sentido. Será o meu relógio biológico já gritando, se manifestando?

Meu alarme disparou quando fui à festinha de diadasmães no colégio da Isabella, minha sobrinha querida e amada. Não sei se foi o clima [muito amor no ar!] ou um bando de criancinhas e mães babonas, mas enquanto a criançada ia cantando musiquinhas de gratidão e dedicação, me senti um e.t, chorando feito boba e começando a repensar esse meu conceito de não querer ter mini cópias minhas ou do Flô. E descobri que sim, um dia quero poder sentir esse tal sentimento inigualável que as mulheres dizem que é o tal do amor mãe/filho, onde se mata ou se morre pela cria, essas coisas todas que só fazem sentido para aquelas mulheres que estavam naquela apresentação, chorando feito eu, mas com um motivo mais nobre.

Antes de começar a mudar o pensamento sobre o assunto, preciso parar de enxergar as crianças [principalmente bebêzinhos gorduchos e bonitinhos] como seres que choram de madrugada, dormem/mamam/sujamfraldas e te roubam um pouco de paz e personalidade. Preciso ainda realizar um dos dois projetos que tenho para daí sim me entregar ao deleite maternal: conhecer Paris [e comprar uma casa, mas isso ficará mais pra frente]. E caso meu reloginho não ajude, nada como um processo de adoção para me realizar. De qualquer maneira, quando for a hora, deixarei de dormir tranqüila por causa do choro do bebê que será o mais lindo do mundo! Juro.