sábado, 26 de junho de 2010

voa canarinho voa...



[o texto foi escrito para a Copa de 2006, mas não mudou muita coisa... o próximo sobre futebol será uma atualização desse, falando sobre Dubga, vuvuzelas e afins. até breve]

A Copa do Mundo está aí. Depois de longos quatro anos de espera, todos os olhos, mentes e corações estão voltados para um grupo de jogadores que tem o peso e a responsabilidade de trazerem ao Brasil o caneco, o hexacampeonato. Na minha modesta opinião, é pressão demais em cima dos caras, mas...
Em mês de Copa, falar de qualquer outro assunto que não seja convocação, times adversários, quem joga ou não é fora de moda. Nada de política, mensalão ou corrupção. Pouco importa se o preço da carne subiu, se fulana de tal vai ser condenada pela morte dos pais, se o frio vai demorar a chegar. A cor da cueca dos jogadores, a cidade de infância e quem brigou com quem na concentração são assuntos que interessam muito mais do que o aumento dos combustíveis! É Copa do Mundo e acabou!
Engraçado é pensar que todo mundo vira um pouco de técnico e jogador nessa época. Gente que não gosta de futebol, não tem nenhum time em especial ou é indiferente ao assunto senta na frente da tevê pra saber as novidades da seleção e começar a sentir o gostinho do acontecimento. Nas ruas, já se vê aqui e ali uma ou outra bandeira. As pessoas já se vestem de verde e amarelo_ pra mim uma belíssima combinação sempre relegada e só aceita nessa época do ano. O hino nacional volta a ser lembrado. De onde vem esse nacionalismo exacerbado?
A culpa disso tudo é dela, da seleção. ‘Culpa’ no bom sentido, claro. Não há brasileiro que não se sinta orgulhoso com o time de estrelas e craques que irá desfilar seu futebol na África. Uma amiga entendida em futebol disse que a paixão dos brasileiros pela seleção é também pelo simples fato de que ali, entre os melhores, está o que mais se aproxima do futebol arte. Futebol por futebol qualquer um joga, mas esse espetáculo só presenciamos quando a seleção brasileira está em campo. Eis um belíssimo motivo pra se torcer por ela.
Quem assiste a um jogo da seleção não vê apenas futebol, certamente enxerga mais além. Vê gente que cresceu nas dificuldades e hoje brilha fazendo o que sabe de melhor. Esquece as agruras do dia-a-dia e se distrai com jogadas mirabolantes. Deseja um gol, como se isso fosse melhorar tudo o que está errado na vida, xinga o juiz e grita com os jogadores para também exorcizar as suas coisas ruins. A seleção é a esperança, é o único momento onde todo mundo tem orgulho de ser brasileiro, porque é a única chance que temos de acreditarmos em algo.
Boa sorte para esses meninos que merecem a nossa torcida. Que nos deixem mais felizes a medida em que a Copa avança. Eis nosso único desejo no momento.

domingo, 30 de maio de 2010

ler até [des]cansar


Sou apaixonada por palavras. Isso vem bem antes da simples ideia de um dia me tornar jornalista. Vem de quando meu pai, outro espécime devorador de letrinhas e afins, pintou numa parede de casa uma lousa enorme, para que eu e meu irmão pudéssemos estudar [e eu dar aulas para as minhas bonecas]. Tudo começou aí.
O prazer pela leitura veio um pouco mais tarde, quando descobri que dentro de casa havia uma coleção enoooorme de gibis do Pato Donald, todos encadernados em capa dura, que meu pai colecionava desde pequeno. Foi aí que instaurou-se o vício pela leitura e eu nunca mais consegui me 'curar'. Lia de tudo: as revistas de costura da minha mãe, as em quadrinho encadernadas, as minhas da Turma da Mônica, todos os livros que eram obrigatórios na escola, o caderno de receitas, tudo. Virei fã de palavras cruzadas, comprei caderno de caligrafia, comecei a fazer agendas, escrevia cartas gigantescas, tudo em função dessa adoração pelas palavras.

Ler pra mim sempre foi mágico e é algo que não sei como explicar. Entra no chavão do "viajar sem sair do lugar" e se amplia dentro da curiosidade inexplicável que tenho em querer saber o porquê das coisas [eis o lado jornalista aflorado]. Hoje assino seis [!] revistas, compro sempre uma ou outra se leio algo de interessante na capa, adoro um jornal e passo horas lendo bobagens na internet. Criei uma comunidade no Orkut sobre 'troca troca literário', para pessoas que como eu tem livros mil e gostariam de trocá-los, para ter sempre algo novo para ler. Tenho uma mini coleção de livros separados por tópicos, como por exemplo 'os de sempre', que junta de Caco Barcellos a Capote e se misturam com astrologia [amo ser sagitariana] até livros específicos, como 'a elaboração do TCC passo a passo'. Os de Moda ganham disparado em relação à espaço e quantidade. :)

Mas, de todos os meus xodós, tenho um que é fabuloso: a piauí [com 'p' minúsculo] uma revista como não se via há tempos, com textos looongos, descrições deliciosas e temas que beirariam o ridículo se estivessem em outro lugar, não nela. Assino desde as primeiras edições e devo a honra dessa descoberta ao meu sogro jornalista. Na época que nem pensava em um dia fazer parte da família, ele presenteou meu namorado com o primeiro exemplar, que passou de mão em mão numa reunião de amigos, todos interessados no artigo sobre 'toxiplasma gondii' [corre pro Google!]. Dai em diante, foi paixão à primeira vista por ambos, a revista e o filho.

Ler, ler e ler. Eis o melhor passatempo e também a maneira mais prazerosa de acrescentar molho e consistência às conversas, aumentar vocabulário, saber do mundo ou dos assuntos que lhe interessam ou simplesmente embarcar na viagem de outra pessoa e aproveitar. Ler [e bem e muito e sobre quase tudo] é coisa de gente interessante e inteligente, não acomodada. Faço parte dessa turma com orgulho e sem falsa modéstia. E certamente é uma das bagagens que deixarei pros meus.
=*

domingo, 9 de maio de 2010

ser [ou não] mãe.


Não dá pra negar que se tem uma mulher que é poderosa, essa é uma mãe! Existe mulher com mais poder, dedicação, atenção, paciência e mais alguns tantos atributos [alguns dispensáveis, diga-se de passagem] do que um ser que consegue gerar, dar a vida e cuidar de um outro ser? Dá até medo.

Nunca pensei em ser mãe e jamais foi meu plano de vida essa responsabilidade pro resto da vida. Na verdade, sempre coloquei na cabeça que não poderia ter filhos [e até hoje penso nisso]. Acho que foi essa a forma que achei para mascarar o tal ‘instinto materno’ que todas nós temos ou o fato de ver quase todas as amigas adolescentes serem mães cedo, por descuido e perderem uma boa parte da vida. Também coloquei na frente da maternidade outras prioridades, como uma faculdade, um emprego, um namorado sem igual e minha família estruturada. Mesmo com tudo dentro dos conformes, sinto que algumas coisas ainda estão meio sem sentido. Será o meu relógio biológico já gritando, se manifestando?

Meu alarme disparou quando fui à festinha de diadasmães no colégio da Isabella, minha sobrinha querida e amada. Não sei se foi o clima [muito amor no ar!] ou um bando de criancinhas e mães babonas, mas enquanto a criançada ia cantando musiquinhas de gratidão e dedicação, me senti um e.t, chorando feito boba e começando a repensar esse meu conceito de não querer ter mini cópias minhas ou do Flô. E descobri que sim, um dia quero poder sentir esse tal sentimento inigualável que as mulheres dizem que é o tal do amor mãe/filho, onde se mata ou se morre pela cria, essas coisas todas que só fazem sentido para aquelas mulheres que estavam naquela apresentação, chorando feito eu, mas com um motivo mais nobre.

Antes de começar a mudar o pensamento sobre o assunto, preciso parar de enxergar as crianças [principalmente bebêzinhos gorduchos e bonitinhos] como seres que choram de madrugada, dormem/mamam/sujamfraldas e te roubam um pouco de paz e personalidade. Preciso ainda realizar um dos dois projetos que tenho para daí sim me entregar ao deleite maternal: conhecer Paris [e comprar uma casa, mas isso ficará mais pra frente]. E caso meu reloginho não ajude, nada como um processo de adoção para me realizar. De qualquer maneira, quando for a hora, deixarei de dormir tranqüila por causa do choro do bebê que será o mais lindo do mundo! Juro.

terça-feira, 20 de abril de 2010

música maestro!


Escutei dia desses uma frase de uma das pessoas que mais me conhece no mundo [se não for a que mais sabe de mim], meu namorado Flô, que eu sou uma 'pessoa sensível musicalmente'. Se a frase foi exatamente essa não sei, mas foi algo parecido e que no final das contas levava a esse pensamento. Essa pérola mais do que verdadeira foi solta em meio a comemoração de formatura de um amigo, onde o maldito dj resolveu juntar o pior do sertanejo, pagode e todas essas porcarias sonoras num único lugar. Surtei! Não conseguia me concentrar na conversa nem disfarçar o mau humor que ia tomando conta de mim a medida que aquelas músicas iam invadindo o ambiente e me enlouquecendo. E isso não é frescura, é um ouvido apurado demais. Sério!

Desde sempre adoro música. Minha mãe lembra que quando eu era bebê colocava um radinho embaixo do meu travesseiro para me fazer pegar no sono. Tinha todos os 'sucessos' das bandas infantis da época e imitava as cantoras na sala, com uma escova de cabelo fazendo as vezes de microfone. Os aniversários em casa tinham apresentação de números musicais [sente a empolgação]. Convenhamos que com todo esse incentivo não dava pra ser diferente.

Música é um dos propulsores da minha vida, o que me move de verdade. Acordar de manhã e não ligar o som é quase impossível. Me dá prazer, alegria, satisfação. Sou daquelas que fazem cd´s e listas das músicas ideais para cada momento: dançar, relaxar, ficar na fossa e ainda guardo algumas fitas cassetes [coisa mais velha!] com músicas que não encontro para baixar.

O engraçado é que vivo numa espécie de repetição sonora. Nâo sei quais são as bandas do momento, o que está no topo da parada, quais as novidades musicais. Não poderia jamais ser djota pois não sei nem por onde começar a pesquisar tudo isso. Sou, como dizem os entendidos, old school. Gosto das músicas de sempre, aquelas que têm história e me fazem relembrar alguma coisa importante da minha vida. Vivaldi me acalma, choro ouvindo Carpenters, Jamiroquai é a minha banda da vida e os anos 90 tem lugar garantido na minha playlist. Agradeço por já ter passado pela fase 'pagode/sertanejo/axé/forró' e ter sobrevivido e o melhor, sem nenhum registro datado dessa época, hehehe.

Ah, odeio bares com música ao vivo, shows ruins de covers e histeria coletiva por causa dessas bandas do momento, que amanhã esqueceremos o nome. Não culpo quem ainda está nessa, mas meu ouvido sinceramente merece mais do que rebolations, créus e a borboleta da vez. E sim, ficarei de mau humor toda vez que o Universo for invadido por qualquer uma dessas letras sem noção e melodias idem, ao menos se eu estiver presente.

pronto, falei!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

do contra.


É bem verdade quando dizem que algumas coisas na vida são só nossas e não há como mudar. O tal do 'gosto não se discute' é válido e muitíssimo verdadeiro em determinados assuntos. No meu caso, trata-se de futebol, carnaval e presidente do Brasil.

No reino da gorduchinha, torço para um único time e seco outros três [Avaí, Flamengo e Corinthians]. O Figueirense, ali do continente, é o meu time do coração e pra quem torcerei sempre. Foi no Scarpelli que assisti ao primeiro jogo de futebol assim que cheguei na cidade e é o time que não para quase toda uma cidade quando tem jogo. Adoro azucrinar os avaianos [pais e irmão, hehehe] e não gosto do time deles pelo simples [?] fato de já ter ficado parada horas tentando sair ou voltar pra casa e por saber que as pessoas precisam ir ao estádio [?] usando repelente, já que ele fica ao lado de um mangue. Preciso falar mais?

O amor no Carnaval é parecido. A Copa Lord foi uma das duas opções de escola que eu tinha, quando resolvi que começaria a gostar dessa época do ano. Entre a Protegidos e ela, deu Copa. Saí trabalhando na Harmonia em 2003 e de lá pra cá tinha sossegado um pouco, mas cismei que em 2010 sairia novamente na escola ... e ela ganhou! Aliás, nada se comparou a assistir os desfiles todos trabalhando na avenida e no dia das Campeãs ter o privilégio de estar ao lado da bateria da minha escola, feito louca. Sensacional!

E quanto ao presida... Desanimo só de pensar em escrever. Podem falar o que quiserem sobre o aumento da popularidade e todas as coisas boas que esse senhor já fez para o país, mas não me desce. Acho-o oportunista, sem noção e malandro. Toda vez que o vejo na tv me vem a imagem de um daqueles tiozinhos que só falam abobrinha, que querem tirar vantagem de tudo, bonachão. E agora em ano de eleição me dá medo...

Essas paixões ou desamores surgem meio que do nada. Já virou uma coisa meio padrão, chiclete e eu não mudo. Por mais que o meu time perca e esteja na série B, que uma outra escola faça um desfile melhor ou que o presidente mostre-se um homem elegante e de caráter, a minha crença não mudará. É a coisa da birra, da irritação, de querer tirar as pessoas do sério [e olha que eu consigo]. Mais ou menos como as mentiras que de tanto contarem já viraram verdade. Sim, gosto [e não gosto], torço e acredito em todas essas e outras pessoas, situações e coisas e nada, nem ninguém vão mudar isso. Ou se eu mudar, pode ter certeza que ninguém vai saber. É o preço que se paga quando se escolhe ser do contra em qualquer coisa. =)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

oh céus, oh vida!


Tenho um grave e imenso problema com a rotina. Não essa de todo santo dia, quando se faz 'tudo sempre igual e se acorda as seis horas da manhã...'. Essa até me ajuda na organização da vida e das coisas a serem feitas. A rotina que me mata é aquela que dura a muuuuito tempo e que não é do dia pra noite que as coisas mudarão, ou seja, aquela que a primeira vista não depende de mim e que para mudar demanda um trabalho enorme de estratégia, pensamentos e disposição. É a minha 'inquietação constante'.

Mudar a cor do cabelo, a decoração da sala ou até o estilo de se vestir é demorado, enroladinho mas a mudança acontece, numa boa. Trocar o carro, as amizades e o emprego por exemplo já é algo maior, mais complicado e que faz o cerebelo doer, de tanto se pensar. Atualmente passo por algumas dessas situações [mas não, não penso em trocar os amigos muito menos virar ruiva]e sinto que quanto mais eu penso menos as coisas se encaixam.

Preciso sempre de uma novidade, um incentivo para ver que estou viva e que as coisas que eu faço não estão sendo em vão. Como boa sagitariana, é indispensável saber pra onde vou lançar a minha próxima flecha [sabendo claro que elas representam aquilo que eu quero e muitas vezes nem sei direito o que é] e em qual direção correr para buscá-la. Algumas vezes eu acerto a mira, em outras é mais uma flecha perdida e toda vez que tenho que dar baixa em uma delas penso, remôo, analiso. E é por isso que passo nesse momento. Mil ideias, algumas sugestões e [suspiro] a mínima noção do que rumo as coisas tomarão pra mim. Quero tudo pra agora, com o minimo esforço para alcançar. E sei que isso é impossível, não funciona, não vai dar certo.

Quero trocar o carro, penso na história do futuro brechó, decidi que pretendo virar professora universitária, procuro o que fazer dentro do meu emprego. Desprender-me das coisas que já são certas na vida e lançar-me em mares desconhecidos. Eis a solução para esses meus dilemas tão pontuais [acontecem a cada ano, é batata!]. Ter a cabeça e o olhar apurado para saber fazer a escolha certa, ao menos no momento, é o que me falta. E pelo jeito vai faltar mais um pouco, pois ainda estou esperando o estalo que vai me chacoalhar e me fazer sair dessa morna zona do conforto. Até lá, essa vozinha irritante e confusa vai me azucrinando os ouvidos....
=***

sábado, 3 de abril de 2010

brecholesca


Quem me conhece sabe: adoro brechó, sebo, casa de avós ou qualquer outro local que tenha história a contar. Me joga num museu que eu piro! Me leva pra Paris que eu surto!
Não sei de onde vem essa nostalgia eterna que trago aqui dentro, mas é assim que acontece. Vai ver por isso eu guardo tanta coisa e fuço muito esses locais atrás de objetos com os quais eu me identifique. Vai ver é por isso que já começo a pensar com mais calma, planejamento e planos em ter o meu próprio brechó, mas um de verdade e não apenas um local com roupa velha, surrada e que ninguém quer mais, um BRECHÓ com letras maiúsculas e com todo o respeito e charme que um lugar como esse merece.
Dos sacos de roupas empilhadas em um canto, que já passaram de mão em mão pelas amigas a fim de ganhar uma graninha revendendo algumas peças à uma arara cheia de cabides [e que acabou desmontando de tanto peso!] foi um pulo, um estalo e o início do projeto.

O primeiro passo é organizar um local [a princípio o meu quartinho da bagunça, das coisas que são só minhas dentro de casa] e daí começar com os bazares de trocas/vendas. A edição de lançamento da primeira arara foi uma delícia, com as amigas, seus espumantes e algumas peças que já mudaram de dona. O segundo é aumentar a oferta de peças [o plano de expansão já está pronto, é só colocar em prática] e começar a propaganda... e por enquanto paro por aqui! Antes de me empolgar com uma sala toda bonitinha, cheia de roupas, espelho, cafezinho e afins para os futuros clientes preciso fincar os pés das araras bem firmes no chão e ver se meu sonho terá resultados. Uma pecinha por vez, num passo lento e extremamente pensado para depois ver adiante. Com dinheiro não se brinca, não se aposta, não se rasga e muito menos com as roupas dos outros, hehehe.

Adoro quando meus projetos começam a sair do papel, do 'quem dera' ou do 'se um dia eu fizesse'. Gosto muito de saber que meus planos para um futuro digno de aposentada tem a ver com o que eu gosto de verdade e sei fazer. Essa é a graça da coisa.
Vida longa aos sonhos e roupinhas com histórias.
beijo